Nota de desrespeito à greve e à democracia

imagem de Centro Acadêmico de Filosofia

Nota de esclarecimento sobre o desrespeito à greve e à democracia

Nós, estudantes de Filosofia na FFLCH/USP, reunidos em assembléia no dia 25 de junho de 2009, repudiamos ações de parte da comunidade universitária uspiana contrária à greve na medida em que não reconhece a legitimidade e legalidade de fóruns deliberativos de estudantes, funcionários e professores. Os grupos discordantes da greve e de seus procedimentos, antes de provocar os funcionários da USP na porta do SINTUSP, antes de responder pesquisas contra a greve pela internet, antes de organizar passeata no campus, deveriam estar presentes nas assembléias, fazer o uso da palavra, defender seus argumentos, apresentar propostas para votação e votar. Argumentos contra a legitimidade, representatividade, supostas intimidações, das assembléias, se procedem, apenas indicam a urgência de as pessoas que pensam isso tomar parte nelas. A ausência revela descaso com fóruns deliberativos historicamente conquistados em nome da democracia e da esfera pública. É preciso esclarecer, portanto, o traço anti-democrático de atitudes de desrespeito à greve, uma vez que ela foi deliberada pelas três categorias em instâncias máximas de deliberação, reconhecidas, aliás, pela universidade e resguardadas até mesmo pelo Estado de Direito.

Assembléia dos estudantes de Filosofia
25 de junho de 2009

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Comentários

imagem de Tadeu M.

O acima citado Estado de

O acima citado Estado de Direito assim legisla sobre o direito de greve:

“§ 3º As manifestações e atos de persuasão utilizados pelos grevistas NÃO PODERÃO IMPEDIR O ACESSO AO TRABALHO nem causar ameaça ou dano à propriedade ou pessoa”. Lei de Greve (lei 7.783/89).

Com efeito, não há traço antidemocrático no “desrespeito” à greve. Professores que decidem dar aula durante a greve estão resguardados pela lei, bem como os alunos que querem assisti-la. Pelo contrário, traços antidemocráticos delineiam a ação dos vermelhos baderneiros que invadem salas de aulas para inviabilizá-las.

imagem de Anônimo

Direito

A greve é um direito, não um dever. Onde está escrito que a violência pode ser exercida pelos piqueteiros contra quem quiser assistir às aulas?

Pior ainda é quando querem obrigar um funcionário a fazer greve. Greve tem implicações. O normal seria cortar o salário de quem não trabalhou (porque o salário é pago justamente "em troca" do trabalho).

imagem de Anônimo

Democracia

Para o CAF, até responder pesquisa pela Internet é anti-democrático.
Parece piada!

imagem de fflch

Delírios da assembleia

A assembleia poderia mostrar um pouco de sanidade e perceber que a greve não rolou como planejada. Os agitadores perderam essa batalha! Fico triste quando a assembleia retira uma nota como essas e parece não reconhecer o clima entre os colegas.
Atitudes de "desrespeito" a greve são sintomáticas do mal momento pelo que passa o movimento estudantil.
Para quem quiser discutir, escrevi um balanço pessoal da greve no forum.

imagem de fflch

"Pesquisa pela internet"

Caro Hélio, esse tema de pesquisas ou mesmo plebiscito pela internet é controverso. Quando você diz "CAF" esquece que há divergências dentro da própria gestão quanto a alguns temas.
Mas eu apoio sim a iniciativa virtual (e sou do CAF)!
Antes não tinhamos nem uma ferramenta decente para fazer tal campanha virtual. Agora temos, por que não utilizá-la?

imagem de zecalixto

felipe não sei se voce

felipe não sei se voce acompanho um debate sobre aqui os limites politicos do mundo virtual... de um procurada.
ou leia a reflexão de nosso colega filóso-funcionário sobre as manifestação instantaneas. como estas aqui, ou como os plebecitos etc.
voce como individuo tem todo o direto a sua posição. só espero que sua posiçào que vem a publico, esteja de acordo com o resto da gestão, pois senão voce não esta sendo representativo e sim autoritário. trazer legitimidade individual para uma esfera coletiva (gestào, caf) é sintoma de mistura entre a esfera privada e a esfera publica. confusào esta que a internet nos coloca a todo momento.

imagem de fflch

Sim, a gestão está de acordo,

Sim, a gestão está de acordo, democraticamente. Tanto André, Gabriel e eu estamos em sintonia quanto a isso.
Há muita coisa a ser explorada pelo meio virtual. Sinto ver alguns colegas insistirem em práticas medievais como único meio de se fazer política.
Lembro da implantação das urnas eletronicas aqui no Brasil, lembro do Leonel Brizola, entre tantos outros, "esquerda" e "direita", contestando a tecnologia e que isso traria fraude etc. Bom, foi o contrário, ganhamos agilidade e segurança.

Nos EUA os Student Governments estão usando a internet para a eleição de seus representantes, por exemplo.

Quanto ao nosso caso, plebiscito ou qualquer tipo de consulta pela internet, creio sim ser viável. E isso não exclui o debate político presencial, nem assembleias, nem reuniões. É só mais um meio inteligente e includente, que devemos sim usar para democratizar a política e dar mais transparência ao processo.

Enfim, são tantos exemplos de bom uso da tecnologia na administração pública e na lisura de processos que não teríamos tempo de elencar. Ainda bem que há internet para os iranianos poderem expressar aquilo que numa assembleia vigiada não poderiam expressar. Pena eles terem usado papél na votação...

Voltando ao nosso caso, nós gestão, colaboradores e colegas apenas estamos "tateando" sobre esse uso da tecnologia. As questões políticas de fato têm especifidades. É consenso, por exemplo, que um plebiscito sem uma divulgação e debates previos também perde legitimidade, pois não traria a discussão e a reflexão que devem acompanhar as decisões coletivas.