Calendário de mobilização na Filosofia

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Segunda 19/03: Assembleia da filosofia, 18h, sala 111

Terça 20/03: Assembleia geral, 18h, na História

Quarta 21/03: Debate e oficina anti-busp, 18h, no CAF

Quinta 22/03: Paralisação das aulas na Filosofia
14h: Debate entre os estudantes da tarde: "Análise atual da estrutura de poder e perspectivas para o movimento".
17h: Ato unificado com funcionários e movimentos sociais, na frente da Reitoria
19h30: Debate entre os estudantes da noite: "Análise atual da estrutura de poder e perspectivas para o movimento".

Comentários

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Sobre a Cultura do Departamento

Chamou-me a atenção o informe enviado ontem (16 abr.) pelo CAF a respeito da reformulação do Regimento da Pós-Graduação. Por três motivos. Em primeiro lugar, busca-se explicar a manutenção da normalidade institucional recorrendo-se ao que foi chamado de Cultura do Departamento, que expressa “a total ausência de tomada objetiva de posicionamento ante a agressividade da reforma regimental do programa de pós-graduação”. Mas quem deveria se posicionar a respeito dessa medida: os funcionários? Melhor nem comentar. Os alunos de graduação? Muitos deles não estão interessados em dar prosseguimento aos seus estudos. Os alunos de pós-graduação? Sim, e foi justamente o que aconteceu. Então, por que tamanha indignação? Em segundo lugar, para justificar o movimento de oposição ao regimento, o informe anuncia “possíveis” efeitos institucionais. Palavras como “provavelmente”, “possibilidade” e “tendência” marcam profundamente o texto. Ou seja, o informe realiza um exercício de futurologia (e não de diagnóstico) para mobilizar a resistência contra o regimento. Ora, quem ou o que garante que os eventos anunciados pelo informe vão se realizar? Acontecimentos incertos do futuro vão motivar uma ação no presente? As medidas do regimento não são suficientemente perniciosas para provocar a mobilização? Frágil discurso... Por fim, em duas frases seguidas, explicita-se o paradoxo do informe: “Quebrando o silêncio, desejamos abrir o debate. Acenamos também com uma proposição: pelo que ficou dito, o novo Regimento deve ser recusado.” Ora, o debate já se inicia enfraquecido, pois sua motivação é tendenciosa. Por que não abrir o debate com a própria reitoria? Seria isso tão ruim assim? Por que não convidá-la, ainda que, “provavelmente”, ela vá recusar-se a qualquer encontro?
Fiz parte do movimento estudantil em minha primeira graduação. O pior vício que percebi foi a ausência de um diagnóstico competente da situação em que se encontram os estudantes e a própria instituição. Não creio que alguém possa dar esse diagnóstico sozinho, mas também penso que é necessário que o movimento estudantil faça sua autocrítica.