um instante sobre a multidão

imagem de zecalixto

posto aqui texto do nosso colega douglas sobre os flash mobs da direita, plebicitos etc..

Hannah Arendt: A flash about a mob

The mob is primarly a group in wich the residue of all classes are
represented. This makes it so easy to mistake the mob for the people,
wich also comprises all strata of society. While the people in all
great revlutions fight for true representation, the mob always will
shout for the “strong man”, the “greater leader.” For the mob hates
the society from wich it is excluded, as well as Parliament where it
is not represented . Plebiscites, therefore, with wich modern mobs
leaders have obtained such excellent results, are a old concept of
politicians who rely upon the mob. One of the more intelligent leaders
of te Anti-Dreyfusards, Déroulède, clamored for a “Republic through
plebiscite.”
Hannah Arendt, The Origins of Totalitarianism.

A multidão é primeiramente um grupo em que o resíduo de todas as
classes está representado. Isto torna muito fácil confundir a multidão
com o povo, que também compreende todos os estratos da sociedade.
Enquanto o povo em todas as grandes revoluções luta por verdadeira
representação, a multidão sempre gritará pelo “homem forte”, o “grande
líder”. A multidão odeia a sociedade do qual ela é excluída, assim
como o Parlamento em que ela não é representada. Plebiscitos,
portanto, com os quais modernos líderes de multidões tem obtido tão
excelente resultado, são um antigo conceito de políticos que recorrem
à multidão. Um dos mais inteligentes líderes dos Anti-Dreyfusards,
Déroulède, clamou por uma “República através de plebiscito.”

Muito se disse sobre multidão, massa, galera, etc. A flash mob é isto,
uma multidão instantânea que está doida pra aparecer, apesar de, como
no caso da USP, para esta multidão espontânea e doida para aparecer, é
necessária a divulgação na imprensa, pelos meios institucionais,
reitoria, etc.

É um exagero chamar estas manifestações de fascistas, pois sua forma
está em germe, então ela ainda não é nada, mas pode se tornar muita
coisa e cada um lá dentro deve pensar uma coisa, pois foram chamados
por todos os motivos os mais confusos: melhora do policiamento, por
outras formas de manifestações políticas, mesmo que favoráveis,
algumas vezes às pautas da greve, mesmo que algumas de suas lideranças
serem francamente direitosas e parecerem manobrar o tema, levando a
concluir que a polícia bate em estudantes desarmados para trazer a
democracia, preferem pensar que na verdade, a assembléia os manipula e
não estes caras cujo perfil não mente, pois não são mais coroinhas e
alguns gostam de brinquedos da pesada, como armas de fogo.

E se entregam a uma multidão com essa galera, que acham muito menos
ameaçadora que meia dúzia de estudantes que acham que a revolução vai
ser amanhã e desincumbem-se de pensar e falar sobre o papel da
universidade e sobre o impacto político representado sobre o que fazem
aqui.
Para não pensar sobre isto, se entregam à uma galerinha que faz calar
aqueles que falam criticam e reclamam como se, junto com eles, os
problemas da USP desaparecessem, pois só existiriam na cabeça dos
“esquerdistas radicais do mal” que se divertem em greves, adoram
baderna, e ficam por aí saltitando e pensando maldades como se os
interesses privados da meia dúzia que governa este lugar não fosse o
melhor possível no caminho da conquista de um mundo melhor, como o que
delineia o esclarecimento magnífico da reitora sobre os problemas da
USP e da sociedade.

Entregar-se à multidão de branco e melhor que ouvir, discutir ou
debater com os vermelhinhos tagarelas. Eis o critério da rapaziada
hoje. Trote, bandejão e diversão junto com o serviço privado aula,
baseado no direito de ir e vir fazem o critério da galera. Pra isto,
basta mandar brasa num abaixo assinado à distância, sem discussão que
é a melhor coisa que se faz, neste sentido, o que seria melhor do que
um mundo democrático, mas sem política, governado por plebiscitos
virtuais que só dão carta branca ao que está aí desde que garanta os
serviços que todos querem.

Afinal, merecem. Entraram na USP, são os melhores, e ascenderão
socialmente com base nisto, ao menos é o que querem fazer crer. O
melhor da sociedade não precisa discutir, deve impor o que quer e não
será meia dúzia de vermelhinhos que atrapalharão este sonho de
estudantes, professores e meia dúzia de altos funcionários que ganham
muito mais do que os professores que somente dão aulas.

A multidão só quer ouvir uma coisa, que tudo ficará onde está, que não
vai ter de se explicar por nada, que ninguém o fará se sentir
responsável por nada pois já estão tomando conta de tudo por ele,
alguém que tem coragem e força de calar estes vermelhinhos que
reclamam seja por quais meios forem.