Demissão do Brandão

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Segue uma entrevista do Brandão para a Caros Amigos. O que acham?

Reitora da USP demite funcionário com mais de 20 anos de trabalho

Por Lúcia Rodrigues

A reitora da USP, Suely Vilela, demitiu um funcionário que está prestes a completar 22 anos de trabalho. Claudionor Brandão foi admitido por meio de concurso público, em setembro de 1987, como técnico em manutenção de refrigeração e ar condicionado. Até dezembro do ano passado, antes de ser demitido por justa causa, era funcionário da Prefeitura do Campus Butantã.
Brandão, como é conhecido na universidade, dedicou boa parte desses anos à luta em defesa dos trabalhadores da USP, como dirigente sindical. Devido a sua atuação destacada à frente do sindicalismo uspiano, acumulou desafetos na reitoria ao longo das duas décadas. Pagou com o emprego por essa ousadia.

Ele conta, no entanto, com o apoio da comunidade acadêmica (docentes, funcionários e estudantes), que pressiona a reitoria pela sua reintegração aos quadros da USP. Um dos pontos da pauta de negociação da greve dos funcionários é justamente a readmissão do funcionário.
Além de dirigente do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), Brandão é o representante dos funcionários no Conselho Universitário, órgão de instância máxima de decisão da universidade, e membro do comando da greve.

Em entrevista exclusiva a Caros Amigos, ele fala sobre sua demissão, comenta a invasão da PM ao campus da USP e os desdobramentos da greve dos funcionários, que entra hoje no 31º dia de paralisação.

Como você vê a invasão da PM ao campus da USP?

Brandão – Como uma agressão à liberdade de organização sindical dos trabalhadores. Como uma agressão à democracia. Suely Vilela vai incluir em seu currículo o rótulo de reitora que resgatou a ditadura militar na USP.

Por que a reitora não chamou a força policial em 2007, quando houve a greve de ocupação, e o fez agora?

Brandão – Naquele momento ela ainda conversava com a ala mais liberal dos docentes. Agora, foi totalmente à direita.

Ao que você atribuiu essa guinada de posição?

Brandão – A reitora resolveu sentar definitivamente no colo da direita mais reacionária da universidade, que é encabeçada pela procuradora da USP, Márcia Walquiria (Batista dos Santos) e pelo diretor da Faculdade de Direito, que aspira ser o futuro reitor, João Grandino Rodas. O mesmo que botou a tropa de choque para reprimir os sem terra na Faculdade de Direito.

E por que a reitora Suely Vilela se aproximou da direita?

Brandão – Falta de personalidade política. Ela se desentendeu com a ala liberal e foi pressionada pela direita. Nesse jogo de pressão, bandeou de lado. Quem acabou ganhando foi a direita.

Hoje, a greve entra em seu 31º dia. Quais serão os rumos do movimento para este segundo mês de paralisação?

Brandão – Depende de como a reitora reagir. Nós estamos exigindo a imediata retirada das tropas (militares) do campus.

A reitora disse que só retira se vocês deixarem de fazer piquete.

Brandão – Mas ela não assume o compromisso de garantir que os chefes não vão pressionar os trabalhadores.

Que tipo de pressão as chefias estão exercendo sobre os funcionários?

Brandão – Ligam para a casa dos trabalhadores e dizem: agora que a polícia desobstruiu os portões, vocês só não entram se não quiserem. Falam que se eles não entrarem é porque querem ficar na greve e que vão descontar os dias

Então os piquetes vão continuar?

Brandão - Os piquetes serão mantidos. O piquete é a defesa dos funcionários contra a repressão interna. Só serão suspensos se os trabalhadores decidirem.

Os trabalhadores não voltam ao trabalho sem que a reitora Suely Vilela atenda as reivindicações?

Brandão – A volta ao trabalho pressupõe que a reitora faça propostas em torno de reivindicações que os trabalhadores possam aceitar.

Mas para isso ela precisa reabrir as negociações...

Brandão – Primeiro ela tem que botar a tropa (militar) para fora e reabrir as negociações. Depois apresentar propostas que os trabalhadores possam aprovar. Agora completados 30 dias de greve, tem outra reivindicação, que se não for atendida nos não voltamos de jeito nenhum ao trabalho, que é o pagamento dos dias parados.

Para vocês irem para a mesa de negociação a PM tem de estar fora do campus?

Brandão – Sim. Não podemos entrar em uma negociação com a polícia na porta.

Você considera que está estabelecido um impasse?

Brandão – Se a reitora quiser apostar nisso... Nós não podemos ser coniventes com essa repressão absurda e violenta contra os trabalhadores. Nós estamos prontos para negociar.

Brandão, por que você foi demitido?

Brandão – A minha demissão é perseguição política. Não tem nenhum delito profissional. Nada de legal, nada de administrativo. É uma demissão em função de atuação política. Sempre envolvido em greves e na luta pela mobilização dos trabalhadores.

Fonte: Caros Amigos.

Comentários

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pleno acordo com o brandão!

pleno acordo com o brandão! abaixo suely!

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Necessidade de rever conceitos...

Líder sindical na USP já fez 12 greves e prega revolta armada
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TALITA BEDINELLI
da Folha de S.Paulo

Na pauta de reivindicações de funcionários grevistas da USP, o primeiro item, escrito em negrito e letras maiúsculas sob o título "questões políticas", é a "readmissão do diretor do sindicato Brandão".

O Brandão em questão é o ex-servidor Claudionor Brandão, 52, um dos cabeças do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e da atual paralisação, que completa hoje 40 dias.

Membro de um grupo denominado "Liga Estratégia Revolucionária", uma dissidência do PSTU, ele acredita que só com a revolução seja possível alcançar o comunismo.

Revolução armada? "Você viu as bombas do coronel Longo? Acha que é possível derrotar aquilo só com palavras?", diz, referindo-se ao confronto com a Polícia Militar na última terça na USP (saldo de dez feridos). O tenente-coronel Cláudio Longo dirigiu a operação.

No episódio, Brandão foi detido por desacato e resistência à prisão. Ele afirma que apenas tentou dialogar com o policial que prendia um colega. Foi solto no mesmo dia, após a realização de um "termo circunstanciado". A ele juntam-se outros sete boletins de ocorrência (por ameaça, invasão, dano ao patrimônio e atentado violento ao pudor, entre outros), outro termo circunstanciado e três inquéritos policiais.

"Qualquer diretor sindical ativo tem um monte de processos. Todos foram arquivados por falta de provas. Nunca fui preso." A Secretaria da Segurança Pública afirmou que não teria ontem como verificar o andamento dos casos.

Desde 1987, trabalhava na antiga prefeitura da universidade, reparando e instalando aparelhos de ar condicionado. Acabou demitido em dezembro passado, após um processo administrativo iniciado em 2005.

Foi acusado de "ter invadido uma biblioteca, ameaçado as pessoas e colocado em risco o acervo", conta. Na ocasião, entrou na biblioteca da faculdade com mais 50 funcionários da FAU para levar os servidores do local para um piquete.

A reitoria da universidade não se manifesta sobre os motivos que levaram à demissão por uma "proibição legal".

A punição terminou em demissão por causa da reincidência: em outubro, ele havia sido condenado a 20 dias de suspensão por outro processo administrativo de 2006, quando apoiou um protesto de trabalhadores terceirizados e foi acusado de "desvio da função sindical", segundo ele. "A demissão é perseguição política."

Filiado ao sindicato desde 1988, já foi três vezes da diretoria. Participou de 12 greves e diz que "o diálogo [com a reitoria] ficou cada vez mais difícil". Um exemplo, diz, é a entrada da PM na USP. "É a prova da incapacidade da reitora Suely Vilela de resolver os problemas da universidade." Segundo ele, se ela não ceder, a greve continuará.

Em 1998, foi candidato a deputado estadual pelo PSTU; teve 439 votos. Desde a demissão, vive com R$ 2.600, pagos pelo sindicato -mesmo valor que recebia como servidor da USP.

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é verdade silas, talvez

é verdade silas, talvez precisemos rever nossos conceitos e aceitar que talvez seja a hora de voltarmos a pensar em estratégias de uso da violência para mudar o "estado de direito".

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Violencia

Mas, porque violencia?

Olha a coisa que eu mais ouço no Brasil é violência. Basta fazer uma relação entre os insultos que a lingua brasileira inventa e os elogios que ela inventa. É nitido, acho que metade das gírias indicam violencia.

Chega de violência. Está na hora de fazer igual a sócrates, é com um elogio que nós podemos fazer uma grande crítica. Afinal, não é o caso de pensar como Gianote no seu artigo para a folha: fazer o movimento estudantil se organizar, caso contrário ele só vai ser um grito a mais que irá se silenciar frente a um estado que não aguenta mais ouvir barulho.

imagem de Euclides Stolf

Ah, Vou falar sobre uma

Ah,

Vou falar sobre uma opinião que eu ouvi de um amigo sobre o que ocorreu com Brandão. Talvez essa opinião provoque arrepios, mas é interessante ver como o pessoal de fora vê a greve, e toda opinião deve ser respeitada:

A reitora não abriria mão de readimitir Brandão, o sentido de sua expulsão foi a de que ele fez algo errado ( é claro, ele pode não ter feito nada errado e ter sido persiguido). Mas seria muito estúpido readmitir brandao. Pois, isto daria margem para que a Greve funcione como um instrumento da impunidade. Afinal, só porque alguém é lider sindical ele é um intocável? Quer dizer que se alguém estiver traficando drogas na faculde e ele for lider sindical, se ele for demitido, é só fazer uma grevizinha para fazer ele voltar.

Então, apartir deste exemplo acho interessante pensar em como repensar o problema. Reinvidicar os motivos reais da expulsão para exclarescer para as pessoas que tipo de expulsão realmente foi esta. Para mostrar que o fantasma da repressão tem afinal pessoas por detrás.