Surubão político: o novo Big Brother da TV

imagem de Rildson

Não é novidade pra ninguém, os efêmeros relacionamentos, que eclodem às nossas vistas, entre políticos de todas as esferas, regados a mútuos arroubos de paixão e juras de amor eterno. Alguns dizem: “na política, isso é normal”. Sem alternativa, senão a resignação, somos obrigados a concordar. Desde que o mundo é mundo, frenéticos bacanais são desfrutados por esses seres que, convenhamos, apenas confirmam a sua índole nessas práticas. Tivemos oportunidades de testemunhar roteiros de fazer inveja ao mais promíscuo dos diretores de filmes, digamos, de putaria. Mas – atenção – tudo dentro do mais cristalino e criterioso espírito de democracia, óbvio.

Não poderia ser diferente. Afinal, aqueles militares horripilantes, de pouco tempo antes, só sentiam tesão entre quatro paredes apenas quando estavam torturando algum hippie universitário, uma vez que, para o apetite dos milicos, nada mais excitante do que, naquele tempo, garotos aparentarem o tipo barbudo e cabeludo, objeto dos anseios carnais dos fardados que os remetia à figura e à lembrança do bom, velho e sensual Marx. Atração selvagem, aquela!

Mas essas são águas passadas. Refiro-me mesmo aos bons tempos em que tudo era descoberta e sentimentos. Nada de falsos pudores, nada de interferência da autocensura baseada numa memória que sequer podia ser rastreada. Leveza e inocência! Os generais já estavam mortos. Tudo valia a pena. Tudo era permitido, porque precisávamos reconhecer quem éramos, precisávamos caminhar e preparar caminho para outros que viriam. Precisávamos construir afinal, o que havia se putrificado no decorrer daqueles dias sombrios. Quem apanhou, apanhou. Quem comeu, comeu. Quem gozou, gozou. Quem engravidou, se fodeu. Tudo isso deixado pra nós, com abnegação fraternal.

E agora os ares estão purificados. Democracia, o supra-sumo da concepção humana pra se viver em coletividade! Pastores desvirginando jovenzinhas dentro do tanque dos batistérios; padres comendo os netinhos das suas beatas mais assíduas; judeus aumentando suas coleções de gravatas, mas firmes no seu direito de não comerem ninguém... Que delícia! Por que, então, nos abismarmos com as práticas despudoradas daqueles políticos? Não, eles lutaram pelo direito inalienável de serem promíscuos. Eram inocentes hedonistas que não faziam mal a ninguém. Defendo-os. Afinal foram eles que pelejaram pra que essa santa democracia se instaurasse, pra que assim pudéssemos, nós aqui, como diria o Didi, os “Da poltrona”, na grande e passiva contemplação, viver nosso ascetismo e nosso pietismo sem que nenhum ato inconstitucional viesse nos exigir, pra compormos parceria com as suas taras macabras.

Quem não se lembra do doce Collor naquele festim com a ex de Lula em 89, quando apresentou ao Brasil a filha, bastarda, digo, baratinada do sapinho barbudo? Foi lindo! E depois, quando descobriram que o caçador de maracujás tava comendo a Tereza e aí o seu irmão, com ciúmes, alcaguetou todo mundo na orgia? Um despeitado. A Rosane, lá, de bobeira e ele se roendo feito besta. Sobrou até umas balas pro PC. Pura passionalidade! Isso sim era tempo bom. Quem não se recorda do Bernardão, mandando brasa na Zélia? U-Hu!!

Mas hoje, apesar dessas conquistas tão nobres, parece que algo foi sendo deturpado. Ou ficou tão obscurecido que não está dando mais para perceber a real dimensão das relações. O que antes era puro exercício do espírito inato daqueles políticos, de serem tão sexualmente relacionáveis, sobretudo ante ao nosso involuntário (mas nem tanto) voyeurismo, hoje se transformou em mera e explícita suruba; ou em um super reality-surubão expressamente apresentado nos horários eleitorais deste grande movimento cívico que são as democratíssimas eleições. O que se vê hoje, nunca jamais se viu na história deste país.

Senão, vejamos: temos em São Paulo, três importantes candidatos ao senado, a saber, a especialista em sexo da TV Mulher, a relaxada e gozada Marta Suplicy; temos o bastião da seriedade, Romeu Tuma (aonde, não sei), pai do contrabandista boa praça; e o adepto da selvageria sexual, regada a porradas nas parceiras insaciáveis, Mano Netinho Negritude, o mais novo comunista do pedaço (coitado do João Amazonas). Pois bem, duas vagas, três grandes representantes do povo ‘passivo’. Mas ao invés das saudosas brigas e acusações, que nada! O que se vê é justamente o contrário, uma grande suruba pública, já que todos se abraçam e se amam pelos palanques mútuos, 'raves' afora, quer dizer, comícios afora, pedindo votos uns para os outros, ambos os três. Isso tem nome, ménage à trois. Cena inédita!

No Rio de Janeiro, terra da sensualidade poética dos botequins, a suruba não deixa a desejar. Vemos o nosso tchutchuco Gabeira com sua minúscula tanga de crochê, enrolando um fino e transando, ou seja, transitando pelos palanques do sex simbol dessa campanha, José Serra, tanto quanto transa, ops, transita pelos tablados da candidata do seu partido, a não menos sensual Marina Silva. E em se falando de bacanais homéricos, vemos que na cidade de São Paulo, o Penna, presidente do PV e sósia de Zé do Caixão, transa com o Kassab, prefeito-DEM. Já em Diadema, ele chega junto do Mário Reale-PT, prefeito daquela cidade vizinha. Certamente nossa futura presidenta, Dilma, também participa dessa orgia, pois em meio ao peito, digo, pleito ao governo de SP, ela foi vista circulando entrelaçada a dois deles, o bigodudo Mercadante e o narigudo Skaf, jurando loves eternos.

Como podemos testemunhar, a suruba é a característica destas eleições. A mera suruba eleitoral, sem aquela passionalidade referida, sem cumplicidade, sem história. Só pela simples metelância. Acho até que nem rola química... (falo apenas da atração de peles, oras). É só porque agora tudo se pode, porque agora tudo é permitido, bacana, vanguarda, pós-moderno e democrático. Pra quem ainda não se tocou, é o tipo de suruba que não dá tesão pra quem vê – pronto, falei. Parece que é por puro compromisso, que nem aquelas putas velhas dos filmes pornôs. Mas no fim, não nos iludamos, depois das apurações, independente de quem leve a bagaça, sabemos que eles, todos mesmo, alugarão uma chácara bem remota, lá pelos lados do planalto, e se entregarão à luxúria nossa de cada dia. Aí, meu irmão, haja vaselina! É quando percebemos que a única ideologia que sobrou foi a da suruba neo-liberal que come todo mundo.

Sei que não fiz justiça aos que não mencionei aqui, menos mal, sinal que devem continuar se esforçando para atingir maior notoriedade surubal. Porém confesso que esse fenômeno, me deixa confuso e nostálgico daqueles velhos tempos em que achávamos que ser flagrado numa suruba daquelas, era algo a ser evitado de qualquer jeito. Tempos em que achávamos que expor um filho bastardo de algum candidato mais desavisado ia jogá-lo na tumba política. Tempo bom. Porque aí o sentido da coisa proibida era mais gostoso. O cara não ia deixar de fazer filho bastardo por aí, não é isso. Ele só cuidava pra que ninguém descobrisse. Nisso é que estava o tesão. Nem o Calheiros, nem o Palocci pegaram esse tempo. Com eles a coisa já começava a perder a graça.

Mas talvez, o tiro de misericórdia tenha sido dado mesmo agora. Talvez, a resposta para tal desgaste deva sair daqui, da influência das dissolutas batidas atordoantes e suas pornoperformances protagonizadas por aquelas deusas do funk com suas bundas gigantescas esfregando na nossa cara em horário nobre, fazendo com que outros segmentos da sociedade, inclusive o político, peguem carona no lance hipnótico que disso rola (do verbo rolar, não substantivo pejorativo de pau). Se o negócio é arreganhar... Vamos pra cima. Afinal a Mulher Pêra – não, não é Marília Pêra, é Mulher Pêra – que tenta representá-las oficialmente no congresso, sintetiza essa teoria. Democracia representativa é assim mesmo.

Fiquemos então com esses insanos momentos e com a expectativa... expectativa... expectatiiivaa... Deixemos pra lá. Vamos apenas assistir ao Big Surubão-Brother e ver quem dentre todos gosta mais da putaria e desempenha a melhor performance. Tem pra tudo quanto é gosto: o superstar au-au Frank Aguiar, dono da canhota mais rápida de São Bernardo, que o diga a Banhara, ex-banheira. Tem um tal Vadão do jegue do dente de ouro. Esse é peso pesado. Tem o Batoré e o Tiririca, Moacir Franco, KLB, Simony, Timóteo, e até uns que se auto-intitulam “Deus” (difícil é identificar o verdadeiro). Diante desse espetáculo dantesco e
orgástico-broxante, só tenho dó é da menina flor conhecida como Ronaldo Ésper.
O cara não vai agüentar o tranco dos ‘nego’, não, de jeito nenhum. Esqueceram de como acabou o Clodovil?