Se as "minorias radicais" conduzem o processo, onde estão as maiorias moderadas?

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MARCELO COELHO

Sombras sobre a USP
Se as "minorias radicais" conduzem o processo, onde estão as maiorias moderadas?

UM GRUPO de provocadores ameaça a ordem e o Estado de Direito. Impossível negociar com extremistas desse tipo, dado o irrealismo de suas reivindicações. Para preservar a paz da comunidade e o império da Lei, a saída é a intervenção de uma força militar.
Esse raciocínio pode ser aplicado, sem grande irrealismo, à crise vivida na Universidade de São Paulo. De fato, há minorias radicais. Tudo indica que é impossível negociar com elas. De fato, a ordem deve ser preservada. Tudo indica que o patrimônio público precisava ser defendido de invasões e quebra-quebras.
Só que a fraseologia não difere muito da que justificou o golpe militar de 1964.
Aquela época tinha seus extremistas, dispostos, por exemplo, a fazer a reforma agrária "na lei ou na marra". Eram, certamente, minoritários na população. Havia uma ordem a ser preservada, e uma legalidade para a qual os movimentos de massa não conferiam grande importância. Só uma intervenção militar daria conta da "baderna".
É triste ver pessoas de belo currículo democrático, notoriamente perseguidas pelo regime militar, apoiando a ocupação da USP pela PM. Sem dúvida, a polícia age agora com autorização judicial e o golpe de 1964 foi, afinal, um golpe.
Do ponto de vista político, entretanto, as situações se assemelham. Como em 1964, muitos "democratas" agora acham que é preciso reprimir pela força as "minorias radicais", contando com o aparato militar para defender a ordem, contra a "baderna".
Este artigo -prometo- será imparcial. Não vejo valor em alguns argumentos do lado contrário. É muita abstração condenar a presença da PM porque a universidade é um local "de pensamento, não de violência", "de ideias, não de barbárie".
A USP é isso, mas não é um jardim peripatético: é também um lugar de trabalho, onde pessoas ganham salário, reclamam, fazem greves, piquetes e invasões.
Piquetes e invasões não são atos isentos de violência, e palavras de ordem não costumam ser obras-primas de reflexão e de pesquisa. De resto, há uma diferença óbvia entre intervenções armadas que se dedicam a sufocar o pensamento e a liberdade de cátedra, e as que se encarregam de reprimir militantes sindicais.
Convocar a PM foi um erro. Só serviu para acirrar, e não pacificar, os ânimos na USP. A retirada da PM é o primeiro passo para a superação da crise.
O problema é saber por que se chegou a esse ponto -em que pessoas respeitáveis acabam achando que "só a PM resolve essa baderna". Quando acontece isso, um sistema de representação e de poder se revela disfuncional. A política deixa de funcionar e a força prevalece.
Se "minorias radicais" conduzem o processo, cabe perguntar onde estão as maiorias moderadas. Deveriam estar presentes nas assembleias (e piquetes) que decidem mobilizações em nome de todos.
Nada mais alienado do que condenar o fato de uma assembleia "de gatos pingados" ter decidido uma greve quando não se participa dela.
Estivesse presente nas assembleias, a "maioria ordeira" da USP negaria legitimidade aos movimentos de reivindicação. Em última análise, prefere delegar a defesa da ordem à PM.
Diante de dezenas de ativistas enraivecidos, quatro policiais (que não são "a repressão", mas têm nome, estado civil e endereço) foram cercados e humilhados moralmente. Quando chegou o reforço, professores, funcionários e estudantes (que têm nome, estado civil e endereço) foram atacados com gás e balas de borracha.
Tudo se desumaniza, porque está em jogo uma contradição estrutural. Temos uma máquina burocrática -a da reitoria e seus órgãos ossificados de decisão- contra uma máquina sindical -que segue a lógica da mobilização de massas.
Acontece que as massas são imaginárias (reduzem-se a uma minoria) e que a estrutura de poder na USP, supostamente defensora da lei e da ordem, é tudo menos democrática. Quando ninguém representa ninguém, ou representa mal, não há negociação humana possível, e a violência prevalece.
O mesmo dilema levou a crises violentas no sistema político brasileiro, tempos atrás. Minorias "extremistas" se iludem com a omissão da maioria "ordeira", que não se dá ao trabalho de mobilizar-se pela "ordem" e pela "moderação". Afinal, tem as tropas a seu dispor.

coelhofsp@uol.com.br

Comentários

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A Marilena Chaui é a favor da

A Marilena Chaui é a favor da greve...
E o Gianotti é contra.

Qual o problema?
Todo mundo tem o direito de defender suas opiniões.

O problema é quando alguém tenta impor suas posições pela força. isso só tem um nome: fascismo.

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"O menor salário do Império

"O menor salário do Império equivaleria hoje a US$ 275,00 e a diferença entre o menor e o maior era de 12 vezes. "

Esqueceu, por acaso, precisamos lembrá-los, que mais da metade da população era escrava...

imagem de GH

Haha, meio confuso, mas o

Haha, meio confuso, mas o argumento principal é esse: tanto a reitoria, como os sindicatos apoiam-se sobre estruturas duras e ultrapassadas e a maioria se abstém e acaba aceitando a força armada como uma saída menos trabalhosa. Tá tudo errado!

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O chapéu ridículo do Reinaldo

O chapéu ridículo do Reinaldo Azevedo é por causa do câncer que ele teve.
Mas isso não tirou dele a capacidade de argumentar.
A Marilena deveria ter se aposentado antes do mensalão para não ter este final de carreira melancólico.

Há uma diferença grande entre os piqueteiros da FFLCH e os alunos da USP de modo geral.
Não é a toa que a FFLCH é vista como é vista pelos demais estudantes.

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Hélio, Com todo o respeito:

Hélio,

Com todo o respeito: você fez a mesma coisa que o Reinaldo, ao invés de ouvir a Marilena e criticar o seu discurso, simplesmente desqualificou-a por conta do mensalão (???).

Se formos julgar as faculdades por como elas são vistas de fora, a coisa vai ficar mais feia para a Poli do que para nós, não é?

Abs

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Mas ele faz a mesma coisa que

Mas ele faz a mesma coisa que o Reinaldo sempre!

Aliás, acho que é o Reinaldo disfarçado.
Só pode ser!!!!

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Talvez, mas os argumentos

Talvez, mas os argumentos dele acabam com os do Marcelo Coelho.
O Reinaldo Azevedo só não debate bem quando o assunto é religião.

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O problema do Reinaldo

O problema do Reinaldo (aliás, um dos problemas do Reinaldo, além do chapéu ridículo) é ir pelo argumento tolo de tentar diferenciar estudantes que estão na sala de aula de estudantes fazendo greve, isso é uma besteira e um argumento (como diz?) "ad hominem" de quem não consegue criticar as pautas da greve.

Vale a pena ver a Chauí e o Antônio Cândido falando (olha aí as tecnologias ajudando quem não pode ir ontem às 10 h na USP):



ps: o som está muito ruim, mas dá para ouvir fazendo um esforçinho.

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O Reinaldo Azevedo detonou

O Reinaldo Azevedo detonou esse texto no blog dele:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/eu-sempre-...

Mais uma tentativa de justificar o injustificável: a violência e o desrespeito à lei, ao patrimônio público e à democracia.

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Reinaldo Azevedo é tão reaça

Reinaldo Azevedo é tão reaça que deve ter votado pela monarquia no plebiscito de 1993.

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Por falar em monarquia, já

Por falar em monarquia, já viram isso: http://www.monarquia.org.br/NOVO/obrasilimperial/monarq...

Divertidamente bizarro (e um pouco assustador).