Esclarecimento

imagem de André Scholz

Oi, sou eu o André Scholz. Minha antiga conta no blog foi doada para a gestão do Caf usar para atualizar o site. Então agora eu estou aqui, mas todas barbaridades que foram postadas pela conta "Gestão" até ontem são, na verdade, minhas. O que eles vierem a escrever, entretanto, é de responsabilidade deles.

Para não ficar sem dizer nada, posto duas cartas que mandei para jornais durante as duas últimas semanas e os eventos na USP.

Carta 1

Miguel Reale, primeiro reitor na Universidade e cujas opiniões são amplamente conhecidas, não deixou a Academia de Polícia ser instalada dentro do campus. É depois do riacho que delimita o terreno da universidade, fora dos portões, que ela foi instalada. Recusar a polícia na universidade é algo anterior, portanto, à ditadura militar e não é uma posição necessariamente “de esquerda”.
O ambiente acadêmico não pode ser coagido e, com sua comunidade crítica, jamais aceitará silenciosamente esta corporação. Lembremos aqui que a Polícia Militar não é versada em Direitos Humanos. Haja vista, por exemplo, que em abril deste ano a mídia divulgou amplamente um caso de execução sumária em plena luz do dia em Ferraz de Vasconcellos. É necessário ressaltar que não se trata de recusar qualquer policiamento ou segurança, o que seria absurdo, mas este certo tipo de polícia. É nesse sentido que diversos centros acadêmicos já se solidarizaram com os trabalhadores militarizados que trabalham em condições precárias, sem direito à greve e com salários que não condizem com o risco que assumem.
É evidente, por outro lado, que a Universidade precisa ser mais bem protegida. É inaceitável que um aluno seja assassinado dentro de seu território de maneira tão torpe e revoltante. É impossível que se estude em um local sob esse tipo de ameaça. Havendo, portanto, a necessidade de um melhor policiamento e a impossibilidade de se conviver com a Polícia Militar, o que deveria fazer a Universidade?
Nesse sentido caberia perguntar: quanto custaria à Universidade criar uma segurança própria para proteger seu território e seus estudantes? É possível para a universidade sustentar uma segurança própria com seu orçamento de mais de 3,5 bilhões de reais? Por que a reitoria não pode pelo menos discutir este projeto com a comunidade?
A Congregação da Faculdade de Filosofia afirmou em nota divulgada nesta segunda-feira, 31: “uma moderna política de segurança pública prescinde da criminalização de comportamentos”. Não poderia a universidade retornar a seu lugar de vanguarda e pensar essa “moderna política de segurança pública”? A sociedade brasileira não precisa repensar o seu modelo se segurança? Não seria hora de a Universidade comprar este tipo de debate, absolutamente importante para a sociedade brasileira?

Carta 2
Vinicius Mota fala, no editorial da Folha "Bebês da USP" (7/11/2011), em decadência da Faculdade de Filosofia. As ações de uma pequena minoria trouxeram a pecha de "maconheiros" ou "vagabundos" para toda comunidade da FFLCH. Nesse sentido é bom lembrar que pelo mais recente QS World University Ranking a USP ficou na 169ª posição, enquanto os cursos de Filosofia e Sociologia ficaram entre os 100 melhores do mundo. Apenas 9 cursos da USP entraram no ranking dos 200 melhores cursos do mundo: 6 são da FFLCH. No que diz respeito à excelência e à projeção internacional, a USP ainda está aquém de sua celula mater.